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-+Em cores douradas
29 days ago
Les Jardins de Blossac – Aline Nedelec _________________________________________________________________________________________   Na tua distância me vou perdendo em cores douradas Sabendo que estás aqui, no dobrar da linha do horizonte Cheirando o vento que me traz a tua presença Recuo no tempo, e sento-me num banco de ninguém. Na minha frente alongam-se as sombras do fim do dia O ar fere os pulmões com a fresquidão das estrelas que surgem Curiosas da noite que será novamente delas Reclamando aquilo que o tempo nunca lhes roubará.
-+A praia
58 days ago
S/t. Uduards Nipers ___________________________________________________________________________ Mesmo agora que os murmúrios se pressentem, e se calam No recorte das ilhas verdes, que no horizonte assomam As nuvens beijando a água, a água de espuma rendilhada Vou percorrendo a linha da costa, e o meu olhar perde-se ali na dobra Deste universo feito de vento e de areias pousadas na quietude do momento. Há pequenas ondas que vêm morrer a meus pés, frescas de novas que são E reflexos de verdes e púrpuras que se movem sobre o plano líquido Pintando os meus olhos de esperança e deixando na boca o gosto salgado Do cheiro das algas que flutuam e se vêm deitar para sempre nas rochas Fazendo cobertores que tão depressa estão como desaparecem sob a maré. Gaivotas sobrevoam o mundo, e o mundo é um enorme aeroporto Porto de abrigo e ponto de partidas, gritos e asas, olhos redondos Nas patas a vontade de rasgar a água, nas asas a necessidade de rasgar o vento E eu, que me fico ...
-+Lendo com blues
93 days ago
Abandoned reading – J. B. Ellis _____________________________________________________________________________________   Esgota-se o verão na luz coada da tarde Nos espasmos da leitura que me embala, Ao som da voz rouca da Billie Holiday Embalando a tristeza entre duas batidas de coração.
-+Já não conduzo os comboios da minha imaginação
133 days ago
“Inside the old caboose” – Jose Garcia _____________________________________   Já não conduzo os comboios da minha imaginação Nem as gares já subsistem na espera que nelas me detenha Recostadas nas dobras dos montes, rodeadas de árvores de fruta madura Na doçura das tardes de aragens leves e mornas. Já não se ouve o grito agudo da minha locomotiva Ordenando aos basbaques que se afastem, pois eis que estou a chegar Ao cais que se encontra vergado na horizontalidade da minha serventia Suportando os passageiros de fatos de domingo engomados. Já não levo comigo os sonhos dos que vão buscar a fortuna Nas capitais dos futuros mais confortáveis Nem as angústias dos que se despedem para não mais voltar Às veredas que um dia lhes deram as alegrias da infância. Sou apenas a nódoa de ferrugem que vai engordando Na mudez queda da inevitabilidade da morte Procurando manter-me inexpugnável ao camartelo do destino Até que por fim, também eu sucumba ao comboio da ...
-+25 de Abril
218 days ago
Heart – Jiri Sebek _____________________________________________________________________________________ Nesta madrugada em que se fez liberdade Resto eu, fitando a luz mortiça que dos salgueiros Na calma da noite se vai espalhando em redor De um espaço que deixou de existir.
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