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289 days ago
Uma vez eu tinha 2 anos e quase matei meu pai de susto ao me encontrar sentada na borda da sacada da varanda, com os pezinhos balançando a metros e metros do chão, só pra ver direito o flamboyant que debruçava suas flores vermelhas sobre o muro do prédio. A verdade é que eu nunca gostei de ver através de grades, telas, janelas, vidros, óculos – nada emoldure minha vista. Me faz sentir presa. Eu gosto da visão sem limites e do vento no rosto, já que não posso voar. Ao menos me faz sentir menos enclausurada, já que meus pés têm sempre que estar pregados no chão por causa da gravidade. Gosto de altura. De pôr os pés pra fora da borda e sentir aquele frio na barriga. Nadar é o que mais se aproxima de voar, já que não tenho asas. Só faltava respirar. Ouvir música é um outro vôo de pássaro também. É liberdade. Então se não tenho asas, até o dia em que puder nascer num beija-flor ou um sabiá, (ou até um urubu carniceiro!), vou passarinhando por aí da melhor maneira que puder encontrar.
289 days ago
Pra felicidade, na minha cabeça, sempre existiu uma divisão: a de “curto prazo” e a de “longo prazo”. A primeira, acho é algo mais parecido com o humor, é uma coisa mais momentânea. Você pode estar meio irritada ou eufórica ou melancólica e mesmo assim, no fundo, no fundo mesmo, estar o oposto disso. Do tipo “eu sou feliz e estou satisfeita com a minha vida, mas no momento me encontro irritada”. Isso faz parte. A segunda, acho que é uma coisa mais profunda, é como você se sente com relação à sua vida e às pessoas que estão nela, é uma coisa mais duradoura, que normalmente demora a mudar e se altera na medida em que amadurecemos e que a nossa vida vai mudando. Por isso que eu sempre pensei – e acho que todo mundo também – que felicidade não é um mar de euforia eterna sem direito a seus momentos de crise. No mundo real nada funciona como no kitsch da propaganda de margarina. Nem pra mim existe essa tristeza é um chororô eterno; às vezes a gente pode até achar graça em algumas coisas, ...
297 days ago
Uma das coisas com que mais me identifiquei quando li Kundera foi o capítulo que falava sobre kitsch. Foi apaixonante ler aquilo porque era uma idéia acerca das coisas que cutucava constantemente a minha cabeça, então chega o danado e traduz tudo certinho! Eu iria até a república tcheca só pra tacar um beijo nele por isso. Segundo disse, o kitsch seria a tentativa de exclusão de tudo o que há de inaceitável e contraditório na existência humana. Ele não aceita a ‘merda’. O Kitsch apela para o sentimentalismo, utilizando-se de imagens-chave – a filha ingrata, a pátria traída, as dores do amor, homens públicos beijando criancinhas – sendo o ideal estético de todos os movimentos ideológicos e partidos políticos, propagandas, livros, filmes, religiões, até mesmo nas relações entre as pessoas, todos com seus clichês e imagens-chave. E há até mesmo um kitsch-underground, ou kitsch-anti-kitsch – ninguém está a salvo! “O Kitsch faz nascer, uma após a outra, duas ...
354 days ago
"Para os astecas eram monstros aquáticos, porque eram diferentes. Vivem sempre dentro de água, ao contrário das outras salamandras que na idade adulta perdem as guelras e passam a viver em terra. Têm uma capacidade única de regenerar qualquer parte do seu corpo que seja cortada, por um número indefinido de vezes. E às vezes são rosados. O seu nome remete para o grande irmão gémeo de Quetzalcoatl, a serpente emplumada, chamado Xolotl. Xolotl era o psicopompo dos astecas, o que acompanhava as almas dos mortos na sua viagem através do país da morte. Os axolotl vistos ao vivo são impressionantes, apetece tê-los em casa, estranhos e surreais, como pequenas entidades protectoras ou apenas criaturas fantásticas." uaaaau :O
366 days ago



