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-+Olhar
172 days ago
O Seu Olhar Arnaldo Antunes Composição: Paulo Tatit / Arnaldo Antunes O seu olhar lá fora O seu olhar no céu O seu olhar demora O seu olhar no meu O seu olhar seu olhar melhora Melhora o meu Onde a brasa mora E devora o breu Como a chuva molha O que se escondeu O seu olhar seu olhar melhora Melhora o meu O seu olhar agora O seu olhar nasceu O seu olhar me olha O seu olhar é seu O seu olhar seu olhar melhora Melhora o meu
-+Vento e água
299 days ago
Mexe, remexe, espante fantasmas (*) Marli Gonçalves (08/01/2009)   Resgatar o Passado pode ser bom. Mas o que do passado? Talvez os fatos mal resolvidos devam ser os primeiros. Andei remexendo numas fotos. Aliás, nos últimos meses tenho remexido em muitas coisas, daquelas que vão acompanhando a vida da gente, ali, naquele cantinho, esperando um dia serem resolvidas, ou removidas de vez. Pode procurar que você também tem. Sempre quietas, sorrateiras, essas coisas, pegajosas e recorrentes, parecem estar sempre por perto, à espreita, nos investigando, nos atrapalhando. Elas ficam ali, espiãs, vendo se realmente é verdade o que andamos dizendo, que a superamos, que nem pensamos mais, isso ou aquilo. Essa coisa fica que nem cupim comendo madeira, igual a pernilongo no quarto em noite de calor, com aquele zumbido insuportável de “estou por perto”. Uma sensação de sombra, e que ocupa espaço. Muito espaço. Um camelo na sala. É uma sensação muito estranha reagir contra esse ...
-+Aqui eu te amo
301 days ago
Aqui eu te amo. Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento. Fosforece a lua sobre as águas errantes. Andam dias iguais a perseguir-se. Descinge-se a névoa em dançantes figuras. Uma gaivota de prata se desprende do ocaso. As vezes uma vela. Altas, altas, estrelas. Ou a cruz negra de um barco. Só. As vezes amanheço, e minha alma está úmida. Soa, ressoa o mar distante. Isto é um porto. Aqui eu te amo. Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte. Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas. As vezes vão meus beijos nesses barcos solenes, que correm pelo mar rumo a onde não chegam. Já me creio esquecido como estas velha âncoras. São mais tristes os portos ao atracar da tarde. Cansa-se minha vida inutilmente faminta.. Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante. Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos. Mas a noite enche e começa a cantar-me. A lua faz girar sua arruela de sonho. Olham-me com teus olhos as estrelas maiores. E como eu te amo, os pinheiros no vento, ...
-+A arte de viajar
306 days ago
"Se nossa vida fosse dominada por uma busca da felicidade, talvez poucas atividades fossem tão reveladoras da dinâmica dessa demanda  - em todo o seu ardor e seus paradoxos - como nossas viagens. Elas expressam - por mais que não falem - uma compreensão de como poderia ser a vida, fora das restrições do trabalho e da luta pela sobrevivência. No entanto, é raro que se considere que apresentem problemas filosóficos - ou seja, questões que exijam reflexão além do nível prático. Somos inundados de conselhos sobre os lugares aonde deveremos ir, mas ouvimos pouquíssimo sobre por que e como deveríamos ir - se bem que a arte de viajar pareça sustentar naturalmente uma série de perguntas nem tão simples nem tão triviais, e cujo estudo poderia contribuir modestamente para uma compreensão do que os filósofos gregos denominavam pelo belo termo eudaimonia ou desabrochar humano. ...Parece que, ao contrário do contentamento contínuo e duradouro que esperamos, a felicidade que sentimos ...
-+O amor e a morte.
362 days ago
"...poucas coisas se parecem tanto com a morte quanto o amor realizado. Cada chegada de um dos dois é sempre única, mas também definitiva: não suporta a repetição, não permite recurso nem promete prorrogação. Deve sustentar-se "por sí mesmo" - e consegue. Cada um deles nasce, ou renasce, no próprio momento em que surge, sempre a partir do nada, da escuridão do não-ser sem passado nem futuro; começa sempre do começo, desnudando o caráter supérfluo das tramas passadas e a futilidade dos enredos futuros. Assim, não se pode aprender a amar, tal como não se pode aprender a morrer.Quando acontecer, vai pegar você desprevenido. Em nossas preocupações diárias, o amor e a morte aparecerão ab nihilo -  a partir do nada."   Amor Líquido Z. Bauman
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